quinta-feira, 24 de junho de 2010

A necessidade do planejamento

                                         

Quando se pensa sobre algo a fazer, as medidas necessárias para alcançar o que se pretende, se está exercendo o ato de planejar. Esta tarefa envolve toda ação possível de alguém, desde uma pessoa simples até um especialista, todos prevêm, imaginam, planejam para atingir o objetivo proposto, dentro de um prazo estipulado, sempre avaliando o andamento do  que está sendo feito. Conforme Menegolla e Sant'Anna(2003, p. 15) “o ato de planejar é uma preocupação que envolve toda a possível ação ou qualquer empreendimento da pessoa.   Sonhar com algo    de forma    objetiva e clara é uma situação que   requer um ato de planejar”.
Ao ter em mente executar uma ação, por mais simples que seja, em qualquer momento da vida do ser humano, há um planejamento, sendo esta, uma atividade que acompanha a humanidade desde seus primórdios. Ao pensar o viver, lançando um olhar sobre o passado, vivendo o presente e ao definir o futuro, ele planeja sua vida, sendo a rotina e a improvisação responsáveis pela ineficiência e o objetivo não alcançado. O plano pode ser importante ou nem tanto, parar se alcançar algo para si ou para outras pessoas, podendo transformar a realidade.  A educação e o ensino  são meios que  possibilitam este projeto.
Desta forma, o ensino deveria ser planejado, pois nele existe a possibilidade da formação e habilitação dos que passam pelas instituições educativas. A importância de planejar o ensino está em contribuir para que se atinja os objetivos desejados, superando dificuldades e improvisações, garantindo o êxito na ação de ensinar. O planejamento é uma necessidade, pois lida com os interesses fundamentais dos educandos de todos os níveis. Levando em conta a coerência e unidade entre objetivos e meios, continuidade e sequencia, garantindo relação entre as várias atividades, objetividade e funcionalidade, devendo proporcionar uma orientação segura, que os encaminhe numa progressão metódica e construtiva. De acordo com Menegolla e Sant'anna (2003, p. 9)
Planejar ou não planejar o ensino. Eis a questão que sempre repete a mesma história, sem que coisa alguma seja mudada. Planeja-se, prevê-se realizam-se reuniões, tomam-se decisões que fielmente são registradas e atas e habilmente arquivadas, mas tudo fica por isso mesmo”...”Por que se constata este descrédito e descaso, que, por vezes chega ao ridículo pedagógico, em se pensar a educação através de um profundo e realista planejamento da mesma? Por que os professores vêem no planejamento  uma ação   desnecessária e, até mesmo inútil em planejar? Por que sentem certa repulsa, relutância e resistência em planejar?

Esta é uma questão que permeia a validade do planejamento, uma dúvida que invade a mente de professores, que apresentam relutância em planejar, vendo esta como uma ação desnecessária. Implica nesta atitude, o fato do conhecimento superficial e pouco preparo sobre o planejamento e sua função pedagógica e didática. Muitas vezes, a descrença na funcionalidade do planejamento se dá porque não há no ato de planejar elementos básicos: objetivos claros e definidos, simplicidade, validade e funcionalidade. O planejamento escolar não pode ser sofisticado, nem ser feito para cumprir exigências burocráticas. É um instrumento pessoal de cada professor, tendo seu valor precisamente por isto, pois será executado por quem o elaborou. Construir um plano de ensino exige dedicação, é uma atividade direta e pessoal de cada professor e ou da equipe que elaborou e da qual ele participou. O plano de ensino não pode ser rígido, imposto pelas exigências técnicas, posto que é dinâmico e deve servir ao professor e ao aluno, devendo contribuir para a maior segurança e execução das aulas. Este planejamento deve ser um instrumento para atender principalmente ao aluno, pois toda ação pedagógica é pensada e planejada visando propiciar o crescimento da pessoa. Conforme Vasconcellos (2006, p. 4)
O planejamento acaba se colocando no centro desta disputa, já que existe a crise da racionalidade, e o planejar é um processo que tem forte carga racional. É certo que refinando um pouco a análise, vamos encontrar vários pontos de convergência nestes diferentes enfoques, considerando, por exemplo que se faz a crítica não a razão em si, mas ao racionalismo exacerbado (onipotência da razão), que negou historicamente outras dimensões do ser humano, como a emoção, o sentimento, o desejo, a paixão, o imaginário. De qualquer forma, esta constatação deve servir de alerta para nossas reflexões: não perder de vista a extraordinária constelação de questões envolvidas, bem como as contradições da realidade, inclusive em relação ao próprio planejamento

Enquanto técnicos acham positivo o planejamento, professores o percebem de forma negativa. Em contrapartida, ainda existe professores que avaliam como inútil, burocrático e sem serventia para a aplicação em sala de aula. Os técnicos verbalizam a importância e validade do planejamento para o bom andamento das aulas. Aqui deve-se levar em conta que o planejamento não pode ser uma técnica desvinculada da competência e do compromisso político do educador, nem da especificidade da escola, da competência técnica e da relações entre escola, educação e sociedade. Uma indicação para o impasse seria aproveitar o saber do profissional, que conhece todos os ítens do programa. Se poderia então, a partir desta prática, construir o planejamento, comprometido com a real aprendizagem do grupo, percebendo-se a importância da unidade dinâmica entre os elementos envolvidos.
Percebe-se que a discussão em torno do assunto planejamento é pouca, quase inexistem publicações a respeito. Aparecem relatos em artigos, capítulos de livros e seminários. O planejamento é um roteiro, esquemático, racional, define metas. Não precisa, porém ser visto apenas como um instrumento operacional. É da responsabilidade de quem o concebeu dar-lhe vida, e colorido na hora da prática. Assim, o planejamento precisa assumir uma postura progressiva e flexível, não pode ser rígido. Os acontecimentos da realidade levam a reajustes necessários, percebendo-se melhores probabilidades para maior construção dos saberes. A imaginação, o senso crítico, um olhar diferenciado do professor são fundamentais para tanto.
Conforme Freire (1997, p. 30)
Por que não aproveitar a experiência que têm os alunos de viver em áreas da cidade descuidadas pelo poder público para discutir, por exemplo, a poluição dos riachos e dos córregos e os baixos níveis de bem-estar das populações, os lixões e os riscos que oferecem à saúde das gentes”. E ainda: “Por que não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade agressiva em que a violência é a constante e a convivência das pessoas é muito maior com a morte do que com a vida? Por que não estabelecer uma “intimidade” entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos?

Por mais que seja contraditório, o planejamento está presente no cotidiano das pessoas. Portanto, se deveria aproveitar o saber que vem com o aluno, mesclando com o conhecimento adquirido na academia pelo professor, para então se fazer um planejamento que interesse a ambos participantes deste convívio. Embora não precise ser seguido a risca, ele se faz necessário para que se atinja o que se almeja. Analisando o que foi feito, diante do que se faz e projetando o futuro, o ser humano planeja sua vida e desenvolvimento. A educação e o ensino possibilitam esta construção de conhecimento e crescimento. O ambiente escolar é um local propício para tanto, com professores e bons planejamentos, encontrando uma maneira consciente e crítica para fazer melhor seu modo de viver e agir. Olhando por este âmbito, o planejamento é de vital importância, embora seja um processo complicado, que exige dos profissionais da área muita discussão e negociação tentando melhores formulações. Porém quando se pensa que a partir deste ato se pode transformar uma vida, vale tentar achar um meio termo, buscando formas alternativas, tendo em vista a necessidade primeira do aluno, conhecendo o meio em que ele está inserido. Tendo em mente que o planejamento não seja engessado, seja flexível, que não seja dado como pronto, pois a construção do conhecimento é algo que se faz gradativamente, onde os envolvidos são seres humanos, e como tal, em processo constante de formação.

REFERÊNCIAS:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1997

SANT”ANNA, Ilza Martins; MENEGOLLA, Maximiliano. Por que planejar? Como planejar? - Currículo – Área – Aula. 13ª ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2003.

VASCONCELLOS, Celso dos S. Planejamento – Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico. São Paulo: Libertad Editora, (Cadernos Pedagógicos do Libertad, volume 1), 2006.

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